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Freedomain Radio - Free Philosophy Books

November 2011 - Posts

  • O Futuro da Liberdade é a Verdade do Passado

    Lições de Propaganda pela Educação Governamental
     

    Por Stefan Molyneux, MA

    Apresentador da Freedomain Radio, o maior e mais popular programa de filosofia no mundo.

    http://www.freedomainradio.com

     
    “Uma educação Estatal generalizada é uma mera invenção para moldar pessoas para serem exactamente iguais entre si; e como o molde em que são fundidas é aquele que agrada ao poder dominante no governo, seja um monarca, uma aristocracia, ou a maioria da geração existente; na proporção em que é eficiente e bem sucedida, estabelece um despotismo sobre a mente, que leva por tendência natural a um sobre o corpo.”

    John Stuart Mill, “Sobre a Liberdade”, 1859

     

    A filosofia da sala de aula numa generação será a filosofia de governo na seguinte.


    Abraham Lincoln

    Introdução

     

    Tenta descobrir direcções através de um web site sem inserir um ponto de partida. A página web prontamente dirá que é impossível. Se estás perdido no oceano, não podes planear uma rota para o Tahiti.

    Num famoso capítulo por George Orwell em “1984”, Winston Smith tenta perguntar a um velho como era a vida antes do socialismo, mas só consegue extrair migalhas e cenas desbotadas das recordações quebradas do ancião.

    De forma a selar-te na escravatura, o teu governo tem de fingir que nunca foste livre. Tem de despedaçar a tua verdadeira história em propaganda fácil, em contos de fadas que repetem interminavelmente a fantasia de que os teus líderes políticos resgataram-te do assustador caos da liberdade.

    O homicídio da memória é o primeiro crime do Estado – e a fonte e sustento de todos os seus outros crimes.

    Porque acreditamos nesta propaganda, nestes contos de fada?

    Submeto que é para evitarmos a compreensão da nossa própria escravização.

    As convicções da maioria das pessoas são justificações ex post facto para as sequelas do poder bruto. Quase ninguém quer pagar impostos – de outra maneira, porque forçá-los? - mas somos compelidos a fazê-lo, encontramos consolo fingindo que os nossos impostos fazem grande e necessário bem na sociedade – e confortamo-nos com a mentira de que sem impostos, a caridade, a benevolência e a própria civilização colapsariam.

    O argumento Estatista mata-história funciona assim:

    ·        ‘X' é necessário

    ·        Somos forçados a fazer ‘X'

    ·        Sem força, ‘X' não existiria

    Por exemplo:

    ·        Os pobres precisam de ajuda

    ·        Somos forçados a ajudar os pobres

    ·        Se não fossemos forçados a ajudar os pobres, os pobres não seriam ajudados

     

    Podes ligar todo o tipo de programas Estatistas a esta equação. Ajudar os pobres, os idosos, os doentes, combater o uso das drogas e a iliteracia, proteger o ambiente, entre outros – todos servem.


    A verdadeira loucura desta equação é fácil de ver se ligarmos programas Estatistas defuntos como a escravatura:

    ·        Precisamos de comida

    ·        Os escravos tem de ser forçados a cultivar alimentos

    ·        Sem escravatura, não haverá comida


    Ou:

    ·        Precisamos de famílias

    ·        As pessoas têm de ser forçadas a casarem

    ·        Sem casamentos forçados, não haveria famílias


    Uma das utilizações mais destrutivas deste silogismo louco é este:

    ·        As crianças precisam de educação

    ·        Temos de forçar as crianças a frequentarem escolas governamentais, e forçar toda a gente a pagar

    ·        Se não forçarmos toda a gente, as crianças – e em particular as crianças pobres – não serão educadas

     

    Para sustentar este conto de fadas, o Estado tem de enterrar a verdadeira história da educação livre e voluntária – o que inevitavelmente leva ao seguinte silogismo:

    ·        As crianças agora são forçadas a frequentarem escolas Estatais, e toda a gente é forçada a pagar por elas

    ·        No passado, as crianças não eram forçadas a frequentarem escolas Estatais, e ninguém era forçado a pagar pela educação

    ·        Portanto, a imposição de força no caso da educação deve ter ocorrido porque no passado, as crianças não estavam a ser educadas.

     

    O falso corolário disto é:

    ·        As crianças só podem ser educadas através de força governamental

    ·        Portanto qualquer um que se oponha à força governamental opõem-se à educação das crianças


    Trata-se da mesma lógica de:

    ·        Os alimentos só podem ser cultivados por escravos

    ·        Portanto qualquer um que se oponha à escravatura deve querer a fome universal


    Esta falácia é mais que ridícula – por isso tem de ser tantas vezes repetida, porque afirmações absurdas só ganham credibilidade através da repetição – sendo fácil de ver assim que ligamos outros argumentos na equação:

    ·        Os escravos são forçados a trabalhar

    ·        No passado, os escravos não eram forçados a trabalhar

    ·        Portanto, a escravatura existe porque os escravos não trabalhavam antes da escravatura


    Ou, no caso de um guerreiro que forçosamente toma uma noiva:

    ·        Eu forcei esta mulher a casar comigo

    ·        Antes de a forçar a casar comigo, ela era solteira

    ·        Portanto, se não a tivesse forçado, ela nunca teria casado


    Se o Destista Está a Furar, Deve Ter Havido uma Cavidade!


    No reino da educação, a fantasia geralmente aceite é que as escolas Estatais foram impostas para responderem a terríveis deficiências na instrução, particularmente entre os pobres. Esta convicção é tão tenaz que nenhuma quantidade de genuíno conhecimento parece ser capaz de a desalojar (como é frequentemente o caso com justificações de Síndroma de Estocolmo).


    Por exemplo:

    ·        Se disseres aos fãs da educação Estatal que a literacia era maior antes das escolas governamentais serem infligidas – e que tem declinado desde então – vão ignorar-te .

    ·        Se lhes disseres que nem os pais nem as crianças expressaram qualquer insatisfação real com as escolas voluntárias antes dos governos tomarem conta da educação, vão ignorar-te.

    ·        Se lhes disseres que o objectivo declarado da educação governamental era o controlo social, económico e político da população – particularmente de minorias religiosas como os Católicos – vão ignorar-te.

    ·        Se lhes disseres que inimigos amargos da liberdade como Marx, Hitler e Estaline continuamente exigiram e alcançaram mais e mais controlo Estatal sobre a educação das crianças, vão ignorar-te.

    ·        Se os relembrares que um dos maiores defensores de leis de frequência compulsiva foi o Ku Klux Klan, vão ignorar-te.

    ·        Se os relembrares que uma sociedade de mercado livre não pode sobreviver durante muito tempo quando as crianças são indoutrinadas num sistema educacional socialista, vão ignorar-te.

     

    A razão para esta cegueira é simples:

    Quando força universal é usada para “resolver” um “problema”, o “problema” original – mesmo que inteiramente imaginário – cresce e cresce na imaginação das pessoas.

    O “raciocínio” é algo como isto:

    Se violência estatal universal foi a melhor e única solução possível, o problema original deve ter sido verdadeiramente terrível! Se foi necessária a nacionalização forçada de uma indústria inteira como a educação, imagina quão má teria que ser a educação para requerer um passo tão drástico!
    Isto ignora completamente a possibilidade de que a tomada de controlo foi simplesmente um abuso expansionista do poder Estatal.

    Se uma mulher é selvaticamente espancada pelo marido, diríamos que ela devia ter sido mesmo má para merecer tal castigo? Ou que os escravos eram incrivelmente preguiçosos, porque tinham que ser violentamente forçados a trabalhar? Ou que devia estar a passar-se alguma coisa estranha com todas aquelas bruxas em Salem, caso contrário porque teriam sido queimadas na fogueira?

    Claro que não!

    Este tipo de absurdo pode continuar para sempre, como é claro, e parece ridículo quanto passamos outros argumentos pela equação padrão – mas assim que compreendes a verdadeira história da educação Americana, a propaganda actual parece igualmente disparatada.

     

    ...E isto, meus amigos, é o que eles chamam de "solução"...


    As escolas americanas foram forçosamente tomadas pelo Estado por volta de 1840 – antes, nas áreas populadas do Norte dos Estados Unidos – bem como em toda a Nova Inglaterra – os níveis de literacia eram entre 91 e 94%! (No Canadá, segundo relatos contemporâneos, “por volta de 1867, a maioria das pessoas... eram mais ou menos letradas,” e, “quase todas as cidades e vilas já teriam a sua Escola de Gramática.”)

    Este grau de literacia tem firmemente caído desde então, apesar de aumentos espantosos no financiamento e tecnologia, e diminuição significativa no tamanho das turmas.

    Como é que a educação Estatal “resolveu” ou “melhorou” esses historicamente altos graus de literacia?

    No mundo do governo, estas são as chamadas "melhorias":

    ·        1 em cada 5 estudantes actualmente leva uma arma para a escola – 1 em 36 uma arma de fogo!

    ·        Quase metade de todos os estudantes nas grandes cidades dos Estados Unidos abandonam a escola durante o secundário.

    ·        Todos os dias uma média de 7.200 estudantes abandonam a escola – isto são 13 milhões de crianças que fogem das escolas Estatais todos os anos.

    ·        No Canadá – muito semelhante aos EUA - 7% dos abandonos em Ontário eram estudantes de topo (classificados com “A”), enquanto que 46% eram estudantes com notas altas (classificados com “B”), e 45% explicam o abandono porque basicamente odeiam a escola.

    ·        Mais de 32 milhões de adultos nos EUA - 14% da população – têm capacidades literárias muito baixas. Muitos não conseguem ler algo mais desafiante que um simples livro para crianças com gravuras. (Naturalmente, não há requisitos de literacia para votar.)

    ·        42 milhões de adultos Americanos nem sequer conseguem ler; 50 milhões só conseguem ler a um nível de quarto ou quinto ano. O número de adultos classificados como funcionalmente iletrados aumenta cerca de 2,25 milhões todos os anos.

    ·        20% de finalistas do secundário podem ser classificados como funcionalmente iletrados no dia da graduação – depois de mais de 15.000 horas de "educação" Estatal.

    ·        75% dos adultos desempregados tem dificuldades em ler e escrever a um nível básico. 7 em cada 10 adultos na prisão apresentam os níveis mais baixos de literacia. 85% de todos os delinquentes juvenis são funcionalmente ou marginalmente iletrados. Quase todos foram forçados a frequentar escolas governamentais durante muitos anos.

    ·        A percentagem de crianças Americanas que conseguem ler correctamente não melhorou nos últimos 25 anos, apesar de uma quase triplicação do financiamento educacional e uma redução significativa no tamanho das turmas.

    A não ser que as escolas do início do século XIX estivessem continuamente a arder, ou submersas, ou cheias de gases nocivos, é difícil conceber como é que o descrito pode alguma vez ser chamado de “melhoria”.

     

    Quando Não Sabes o Que Não Sabes...

    Algumas pessoas perguntam como é que as instituições financeiras conseguem escapar depois de terem enganado a população inteira através de empréstimos predatórios e incessantes resgates – a resposta reside na quase completa iliteracia financeira do Americano comum. De um artigo no “New Yorker”:

    "A profundidade da nossa ignorância financeira é alarmante. Em anos recentes, Annamaria Lusardi, uma economista em Dartmouth e a presidente do Centro de Literacia Financeira (Financial Literacy Center, no original), conduziu estudos extensivos sobre o que os Americanos sabem de finança. É um trabalho depressivo. Quase metade dos inquiridos não conseguiam responder correctamente a duas perguntas sobre inflação e taxas de juro, e tópicos ligeiramente mais sofisticados desconcertavam a maioria. Muitas pessoas sabem as cláusulas das suas hipotecas ou a taxa de juro que estão a pagar. E, numa altura em que estamos a pedir mais empréstimos do que nunca, a maioria dos Americanos não conseguem explicar o que são juros compostos."

    Ah, mas um país com 700 bases militares ultramarinas está cheio de gente com um bom conhecimento de geografia, certo?

    Nem por isso. Onze por cento dos jovens Americanos não conseguem localizar os EUA num mapa. Quase um terço não tinha ideia onde era o Oceano Pacífico; 58% não conseguiam encontrar o Japão, 65% não conseguiam encontrar a França, e 69% não conseguiam localizar o Reino Unido. Menos de 15% conseguiam encontrar Israel ou o Iraque.

    Quase um terço insistiu que a população dos Estados Unidos era entre um milhar e dois mil milhões, em vez de aproximadamente 300 milhões.

    Além disso, apesar dos padrões educacionais terem declinado desde que foram criadas escolas governamentais, actualmente apenas um terço dos alunos do oitavo ano têm notas iguais ou superiores ao nível de proficiência na Avaliação Nacional de Progresso Educativo (no original National Assessment of Educational Progress – NAEP) em Leitura (32%), Matemática (34%) ou Ciência (29%). (Imagina dar-lhes um teste de gramática ou de matemática anterior a 1840!)

    A Secretária da Educação Arne Duncan admitiu recentemente que 82% das escolas públicas podiam ser rotuladas como “a falhar” segundo especificações do “Nenhuma Criança Deixada Para Trás” (“No Child Left Behind”, no original). Qual é a solução? Acabar com o programa e devolver o dinheiro aos contribuintes, ou expandir o financiamento? Só podes adivinhar um.

    O “Vantagem” (“Head Start”, no original) custou $166 mil milhões desde 1965, apesar de muitos estudos provarem que a maior parte do dinheiro foi desperdiçado, e não ajudou miúdos pobres a ganhar ou a manter quaisquer melhorias. Recentemente, o seu financiamento foi aumentado por mais de $2 mil milhões.

    As pessoas respondem a incentivos – quando se paga às pessoas pelo fracasso, tende-se a ter mais fracasso.

    A América gasta mais de $150.000 por estudante entre o primeiro e o 12º anos – quase 3 vezes mais do que gastava em 1970. Entre 1960 e 1985, a proporção de estudantes por professor nas escolas públicas diminuiu perto de 30%. Como é sempre o caso com programas governamentais, mais dinheiro, mais recursos e mais pessoas significa mais e mais resultados catastróficos.

    O economista Thomas Sowell nota que os resultados do Teste de Sucesso Escolar (Scholastic Achievement Test, no original) são significativamente mais baixos hoje do que há 30 anos atrás, e que o vocabulário do estudante comum contem metade das palavras que continha em 1945.

    Será porque os professores são mal pagos? Não no Canadá, onde os professores ganhavam 80% do salário de um operário em 1950, e agora ganham 50% mais que o salário básico de um operário.

     

    Desemprego

    Porque é que tanta gente está desempregada? Bem, o desemprego está estreitamente ligado à iliteracia. Mais de 40% dos Canadianos em idade activa têm falhas nas capacidades literárias básicas necessárias e requeridas para participarem com sucesso no mercado de trabalho.

    Nos EUA:

    · 43% das pessoas com as capacidades literárias mais baixas vivem na pobreza.

    · 17% das pessoas com as capacidades literárias mais baixas recebem senhas de alimentação.

    · 70% das pessoas com as capacidades literárias mais baixa não têm um trabalho a tempo inteiro ou parcial.


    Os níveis de literacia também estagnaram ou caíram durante o período na história em que os requisitos de empregabilidade aumentaram. Uma das razões para o emprego industrial ter desaparecido dos EUA é que em 1950, 60% do emprego industrial era não qualificado – um número que mergulhou para 15% nas décadas subsequentes.

    A Associação America de Gestão (American Management Association, no original) relatou que mais de 40% dos candidatos a emprego não têm as capacidades básicas de leitura, escrita e matemática necessárias para concretizarem o trabalho industrial que pretendem. Num inquérito recente, 90% dos fabricantes dos EUA relatou uma escassez de trabalhadores qualificados em pelo menos uma categoria de emprego.

    Após mais de um século e meio de “educação” governamental controlada e obrigatória, a situação tornou-se completamente irrecuperável.

    Como o autor vencedor do prémio Pulitzer Chris Hedges notou no seu livro “Império da Ilusão” (“Empire of Illusion”, no original):

    “Um terço dos graduados do secundário nunca lêem outro livro no resto das suas vidas, nem o fazem 42% dos diplomados universitários. Em 2007, 80% das famílias nos Estados Unidos não comprou ou leu um livro... O Princeton Review analisou transcritos dos debates Gore-Bush de 2000, dos debates Clinton-Bush-Perot de 1992, do debate Kennedy-Nixon de 1960, e dos debates Lincoln-Douglas de 1858. Reviu estes transcritos usando um teste padrão de vocabulário que indica o nível educacional mínimo necessário para um leitor compreender o texto. Nos debates Lincoln-Douglas, Lincoln falou no nível educacional de um aluno do 11º ano, e Douglas dirigiu-se à multidão usando vocabulário adequado para um graduado do secundário. No debate Kennedy-Nixon, os candidatos falaram numa linguagem acessível a alunos do 10º ano. Nos debates de 1992, Clinton falou ao nível de um aluno do 7º ano, enquanto Bush falou ao nível do 6º ano, tal como fez Perot. Durante os debates de 2000, Bush falou ao nível do 6º ano e Gore a um nível avançado de 7º ano.”

    Quanto tempo demorará até que os debates Presidenciais sejam feitos com marionetas, cantorias e bolas saltitantes?

     

    Conclusão

    O apodrecimento da mente e do espírito que surge da compulsão universal é verdadeiramente a maior tragédia do Estatismo. Não é tanto o facto dos nossos corpos serem tributados, mas o lentamente recusarmos a tributar as nossas mentes. À medida que os inevitavelmente terríveis resultados da compulsão surgem em primeiro plano para todos excepto os mais deliberadamente cegos verem, a juventude já não acredita nos ideais da sua sociedade, guardam desprezo pelos seus anciãos e as suas hipocrisias aduladoras, e vêem com cinismo insondável as regras sociais que se espera que sigam.

    À medida que a educação, o rendimento e as oportunidades para a juventude desaparecem, o mais antigo pacto social entre gerações – obedece aos teus anciãos, e recebe benefícios – igualmente se desintegra. As gerações que se beneficiavam mutuamente – a vitalidade e criatividade da juventude combinada com as poupanças e a sabedoria dos idosos – agora olham-se fixamente com olhos cínicos e desconfiados. “Porque haveríamos de pagar a tua reforma?” “Porque haveríamos de pagar a tua pós-graduação?”

    A maior tragédia do Estatismo é a destruição da confiança comunal, e a ruptura da cooperação entre os que têm diferenças benéficas, como os velhos e os novos, ricos e pobres, líderes e seguidores.


    Quando encarceramos os nossos jovens ano após ano em perigosas prisões de indoutrinação Estatal, e os vendemos para servidão futura em troca do suborno político do momento, irão mesmo ouvir-nos quanto lhes dizemos para serem bons, para adiarem gratificações, para trabalharem arduamente, quando não restam recompensas para lhes oferecermos – nem financeiras nem espirituais?

    Claro que não.

    Temos de abandonar as nossas ilusões de benevolência Estatal– não para nos salvarmos do Estado, mas uns dos outros – dos ressentimentos e predações ulcerantes que inevitavelmente crescem entre cidadãos a arranhar e morder por migalhas da mesa política.

    O futuro da liberdade é o futuro da juventude, e a liberdade da juventude depende dos idosos abandonarem as suas ilusões.

    Deixo a última palavra ao grande poeta W.H. Auden, na esperança que a sua profecia sobre o século XX se prove falsa no século XXI:



    We would rather be ruined than changed;

    We would rather die in our dread

    Than climb the cross of the moment

    And let our illusions die.



    (Preferiríamos ser arruinados a mudar

    Preferiríamos morrer no nosso terror

    Que trepar a cruz do momento

    E deixar as nossas ilusões morrer.)

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