Lições de Propaganda
pela Educação Governamental
Por
Stefan Molyneux, MA
Apresentador
da Freedomain Radio, o maior e mais popular programa de filosofia no mundo.
http://www.freedomainradio.com
“Uma educação Estatal generalizada é uma
mera invenção para moldar pessoas para serem exactamente iguais entre si; e
como o molde em que são fundidas é aquele que agrada ao poder dominante no
governo, seja um monarca, uma aristocracia, ou a maioria da geração existente;
na proporção em que é eficiente e bem sucedida, estabelece um despotismo sobre
a mente, que leva por tendência natural a um sobre o corpo.”
John
Stuart Mill, “Sobre a Liberdade”, 1859
“A
filosofia da sala de aula numa generação será a filosofia de governo na
seguinte.”
Abraham Lincoln
Introdução
Tenta
descobrir direcções através de um web site sem inserir um ponto de
partida. A página web prontamente dirá que é impossível. Se estás
perdido no oceano, não podes planear uma rota para o Tahiti.
Num famoso capítulo por George Orwell em
“1984”, Winston Smith tenta perguntar a um velho como era a vida antes do socialismo,
mas só consegue extrair migalhas e cenas desbotadas das recordações quebradas
do ancião.
De forma a selar-te na escravatura, o teu
governo tem de fingir que nunca foste livre. Tem de despedaçar a tua verdadeira
história em propaganda fácil, em contos de fadas que repetem interminavelmente
a fantasia de que os teus líderes políticos resgataram-te do assustador caos da
liberdade.
O homicídio da memória é o primeiro crime do
Estado – e a fonte e sustento de todos os seus outros crimes.
Porque acreditamos nesta propaganda, nestes
contos de fada?
Submeto que é para evitarmos a compreensão da
nossa própria escravização.
As convicções da maioria das pessoas são
justificações ex post facto para as sequelas do poder bruto. Quase
ninguém quer pagar impostos – de outra maneira, porque forçá-los? - mas somos
compelidos a fazê-lo, encontramos consolo fingindo que os nossos impostos fazem
grande e necessário bem na sociedade – e confortamo-nos com a mentira de que
sem impostos, a caridade, a benevolência e a própria civilização colapsariam.
O argumento Estatista mata-história funciona
assim:
·
‘X' é necessário
·
Somos forçados a fazer
‘X'
·
Sem força, ‘X' não
existiria
Por
exemplo:
·
Os pobres precisam de
ajuda
·
Somos forçados a
ajudar os pobres
·
Se não fossemos
forçados a ajudar os pobres, os pobres não seriam ajudados
Podes
ligar todo o tipo de programas Estatistas a esta equação. Ajudar os pobres, os
idosos, os doentes, combater o uso das drogas e a iliteracia, proteger o
ambiente, entre outros – todos servem.
A verdadeira loucura desta equação é fácil de
ver se ligarmos programas Estatistas defuntos como a escravatura:
·
Precisamos de comida
·
Os escravos tem de ser
forçados a cultivar alimentos
·
Sem escravatura, não
haverá comida
Ou:
·
Precisamos de famílias
·
As pessoas têm de ser
forçadas a casarem
·
Sem casamentos
forçados, não haveria famílias
Uma das utilizações mais destrutivas deste
silogismo louco é este:
·
As crianças precisam
de educação
·
Temos de forçar as
crianças a frequentarem escolas governamentais, e forçar toda a gente a pagar
·
Se não forçarmos toda
a gente, as crianças – e em particular as crianças pobres – não serão educadas
Para
sustentar este conto de fadas, o Estado tem de enterrar a verdadeira história
da educação livre e voluntária – o que inevitavelmente leva ao seguinte
silogismo:
·
As crianças agora são
forçadas a frequentarem escolas Estatais, e toda a gente é forçada a pagar por
elas
·
No passado, as
crianças não eram forçadas a frequentarem escolas Estatais, e ninguém era
forçado a pagar pela educação
·
Portanto, a imposição
de força no caso da educação deve ter ocorrido porque no passado, as
crianças não estavam a ser educadas.
O
falso corolário disto é:
·
As crianças só podem
ser educadas através de força governamental
·
Portanto qualquer um
que se oponha à força governamental opõem-se à educação das crianças
Trata-se da mesma lógica de:
·
Os alimentos só podem
ser cultivados por escravos
·
Portanto qualquer um
que se oponha à escravatura deve querer a fome universal
Esta falácia é mais que ridícula – por isso
tem de ser tantas vezes repetida, porque afirmações absurdas só ganham
credibilidade através da repetição – sendo fácil de ver assim que ligamos
outros argumentos na equação:
·
Os escravos são
forçados a trabalhar
·
No passado, os escravos
não eram forçados a trabalhar
·
Portanto, a
escravatura existe porque os escravos não trabalhavam antes da escravatura
Ou, no caso de um guerreiro que forçosamente
toma uma noiva:
·
Eu forcei esta mulher
a casar comigo
·
Antes de a forçar a
casar comigo, ela era solteira
·
Portanto, se não a
tivesse forçado, ela nunca teria casado
Se o Destista Está a Furar, Deve Ter Havido
uma Cavidade!
No reino da educação, a fantasia geralmente aceite é que as escolas Estatais
foram impostas para responderem a terríveis deficiências na instrução,
particularmente entre os pobres. Esta convicção é tão tenaz que nenhuma
quantidade de genuíno conhecimento parece ser capaz de a desalojar (como é
frequentemente o caso com justificações de Síndroma de Estocolmo).
Por exemplo:
·
Se disseres aos fãs da
educação Estatal que a literacia era maior antes das escolas
governamentais serem infligidas – e que tem declinado desde então – vão
ignorar-te .
·
Se lhes disseres que
nem os pais nem as crianças expressaram qualquer insatisfação real com
as escolas voluntárias antes dos governos tomarem conta da educação, vão
ignorar-te.
·
Se lhes disseres que o
objectivo declarado da educação governamental era o controlo social,
económico e político da população – particularmente de minorias religiosas como
os Católicos – vão ignorar-te.
·
Se lhes disseres que
inimigos amargos da liberdade como Marx, Hitler e Estaline continuamente
exigiram e alcançaram mais e mais controlo Estatal sobre a educação das
crianças, vão ignorar-te.
·
Se os relembrares que
um dos maiores defensores de leis de frequência compulsiva foi o Ku Klux Klan,
vão ignorar-te.
·
Se os relembrares que
uma sociedade de mercado livre não pode sobreviver durante muito tempo quando
as crianças são indoutrinadas num sistema educacional socialista, vão
ignorar-te.
A
razão para esta cegueira é simples:
Quando
força universal é usada para “resolver” um “problema”, o “problema” original –
mesmo que inteiramente imaginário – cresce e cresce na imaginação das pessoas.
O “raciocínio” é algo como isto:
Se violência
estatal universal foi a melhor e única solução possível, o problema original
deve ter sido verdadeiramente terrível! Se foi necessária a nacionalização
forçada de uma indústria inteira como a educação, imagina quão má teria que ser
a educação para requerer um passo tão drástico!
Isto ignora completamente a possibilidade de
que a tomada de controlo foi simplesmente um abuso expansionista do poder
Estatal.
Se
uma mulher é selvaticamente espancada pelo marido, diríamos que ela devia ter
sido mesmo má para merecer tal castigo? Ou que os escravos eram incrivelmente
preguiçosos, porque tinham que ser violentamente forçados a trabalhar? Ou que
devia estar a passar-se alguma coisa estranha com todas aquelas
bruxas em Salem, caso contrário porque teriam sido queimadas na fogueira?
Claro que não!
Este tipo de absurdo pode continuar para
sempre, como é claro, e parece ridículo quanto passamos outros argumentos pela
equação padrão – mas assim que compreendes a verdadeira história da educação
Americana, a propaganda actual parece igualmente disparatada.
...E
isto, meus amigos, é o que eles chamam de "solução"...
As escolas americanas foram forçosamente tomadas pelo Estado por volta de 1840
– antes, nas áreas populadas do Norte dos Estados Unidos – bem como em toda a
Nova Inglaterra – os níveis de literacia eram entre 91 e 94%! (No
Canadá, segundo relatos contemporâneos, “por volta de 1867, a maioria das
pessoas... eram mais ou menos letradas,” e, “quase todas as cidades e vilas já
teriam a sua Escola de Gramática.”)
Este
grau de literacia tem firmemente caído desde então, apesar de aumentos espantosos no financiamento e
tecnologia, e diminuição significativa no tamanho das turmas.
Como é que a educação Estatal “resolveu” ou
“melhorou” esses historicamente altos graus de literacia?
No mundo do governo, estas são as chamadas
"melhorias":
·
1 em cada 5 estudantes
actualmente leva uma arma para a escola – 1 em 36 uma arma de fogo!
·
Quase metade de todos
os estudantes nas grandes cidades dos Estados Unidos abandonam a escola durante
o secundário.
·
Todos os dias uma
média de 7.200 estudantes abandonam a escola – isto são 13 milhões de crianças
que fogem das escolas Estatais todos os anos.
·
No Canadá – muito semelhante
aos EUA - 7% dos abandonos em Ontário eram estudantes de topo (classificados
com “A”), enquanto que 46% eram estudantes com notas altas (classificados com
“B”), e 45% explicam o abandono porque basicamente odeiam a escola.
·
Mais de 32 milhões de
adultos nos EUA - 14% da população – têm capacidades literárias muito baixas.
Muitos não conseguem ler algo mais desafiante que um simples livro para
crianças com gravuras. (Naturalmente, não há requisitos de literacia para
votar.)
·
42 milhões de adultos
Americanos nem sequer conseguem ler; 50 milhões só conseguem ler a um nível de
quarto ou quinto ano. O número de adultos classificados como funcionalmente
iletrados aumenta cerca de 2,25 milhões todos os anos.
·
20% de finalistas do
secundário podem ser classificados como funcionalmente iletrados no dia da
graduação – depois de mais de 15.000 horas de "educação" Estatal.
·
75% dos adultos
desempregados tem dificuldades em ler e escrever a um nível básico. 7 em cada
10 adultos na prisão apresentam os níveis mais baixos de literacia. 85% de
todos os delinquentes juvenis são funcionalmente ou marginalmente iletrados.
Quase todos foram forçados a frequentar escolas governamentais durante muitos
anos.
·
A percentagem de
crianças Americanas que conseguem ler correctamente não melhorou nos últimos 25
anos, apesar de uma quase triplicação do financiamento educacional e uma
redução significativa no tamanho das turmas.
A
não ser que as escolas do início do século XIX estivessem continuamente a
arder, ou submersas, ou cheias de gases nocivos, é difícil conceber como é que
o descrito pode alguma vez ser chamado de “melhoria”.
Quando
Não Sabes o Que Não Sabes...
Algumas pessoas
perguntam como é que as instituições financeiras conseguem escapar depois de
terem enganado a população inteira através de empréstimos predatórios e
incessantes resgates – a resposta reside na quase completa iliteracia
financeira do Americano comum. De um artigo no “New Yorker”:
"A profundidade da nossa ignorância
financeira é alarmante. Em anos recentes, Annamaria Lusardi, uma economista em
Dartmouth e a presidente do Centro de Literacia Financeira (Financial Literacy
Center, no original), conduziu estudos extensivos sobre o que os Americanos
sabem de finança. É um trabalho depressivo. Quase metade dos inquiridos não
conseguiam responder correctamente a duas perguntas sobre inflação e taxas de
juro, e tópicos ligeiramente mais sofisticados desconcertavam a maioria. Muitas
pessoas sabem as cláusulas das suas hipotecas ou a taxa de juro que estão a
pagar. E, numa altura em que estamos a pedir mais empréstimos do que nunca, a
maioria dos Americanos não conseguem explicar o que são juros compostos."
Ah, mas um país com 700 bases militares
ultramarinas está cheio de gente com um bom conhecimento de geografia, certo?
Nem por isso. Onze por cento dos jovens
Americanos não conseguem localizar os EUA num mapa. Quase um terço não tinha
ideia onde era o Oceano Pacífico; 58% não conseguiam encontrar o Japão, 65% não
conseguiam encontrar a França, e 69% não conseguiam localizar o Reino Unido.
Menos de 15% conseguiam encontrar Israel ou o Iraque.
Quase um terço insistiu que a população dos
Estados Unidos era entre um milhar e dois mil milhões, em vez de
aproximadamente 300 milhões.
Além disso, apesar dos padrões educacionais
terem declinado desde que foram criadas escolas governamentais, actualmente
apenas um terço dos alunos do oitavo ano têm notas iguais ou superiores ao
nível de proficiência na Avaliação Nacional de Progresso Educativo (no original
National Assessment of Educational Progress – NAEP) em Leitura (32%),
Matemática (34%) ou Ciência (29%). (Imagina dar-lhes um teste de gramática ou
de matemática anterior a 1840!)
A Secretária da Educação Arne Duncan admitiu
recentemente que 82% das escolas públicas podiam ser rotuladas como “a falhar”
segundo especificações do “Nenhuma Criança Deixada Para Trás” (“No Child Left
Behind”, no original). Qual é a solução? Acabar com o programa e devolver o
dinheiro aos contribuintes, ou expandir o financiamento? Só podes adivinhar um.
O “Vantagem” (“Head Start”, no original)
custou $166 mil milhões desde 1965, apesar de muitos estudos provarem
que a maior parte do dinheiro foi desperdiçado, e não ajudou miúdos pobres a
ganhar ou a manter quaisquer melhorias. Recentemente, o seu financiamento foi
aumentado por mais de $2 mil milhões.
As pessoas respondem a incentivos – quando se
paga às pessoas pelo fracasso, tende-se a ter mais fracasso.
A
América gasta mais de $150.000 por estudante entre o primeiro e o 12º anos –
quase 3 vezes mais do que gastava em 1970. Entre 1960 e 1985, a proporção de
estudantes por professor nas escolas públicas diminuiu perto de 30%. Como é
sempre o caso com programas governamentais, mais dinheiro, mais recursos e mais
pessoas significa mais e mais resultados catastróficos.
O economista Thomas Sowell nota que os
resultados do Teste de Sucesso Escolar (Scholastic Achievement Test, no
original) são significativamente mais baixos hoje do que há 30 anos atrás, e
que o vocabulário do estudante comum contem metade das palavras que
continha em 1945.
Será porque os professores são mal pagos? Não
no Canadá, onde os professores ganhavam 80% do salário de um operário em 1950,
e agora ganham 50% mais que o salário básico de um operário.
Desemprego
Porque
é que tanta gente está desempregada? Bem, o desemprego está estreitamente
ligado à iliteracia. Mais de 40% dos Canadianos em idade activa têm falhas nas
capacidades literárias básicas necessárias e requeridas para participarem com
sucesso no mercado de trabalho.
Nos EUA:
· 43% das pessoas com as capacidades literárias mais baixas vivem na pobreza.
· 17% das pessoas com as capacidades literárias mais baixas recebem senhas de
alimentação.
· 70% das pessoas com as capacidades literárias mais baixa não têm um trabalho
a tempo inteiro ou parcial.
Os níveis de literacia também estagnaram ou
caíram durante o período na história em que os requisitos de empregabilidade
aumentaram. Uma das razões para o emprego industrial ter desaparecido dos EUA é
que em 1950, 60% do emprego industrial era não qualificado – um número que
mergulhou para 15% nas décadas subsequentes.
A Associação America de Gestão (American
Management Association, no original) relatou que mais de 40% dos candidatos a
emprego não têm as capacidades básicas de leitura, escrita e matemática
necessárias para concretizarem o trabalho industrial que pretendem. Num
inquérito recente, 90% dos fabricantes dos EUA relatou uma escassez de
trabalhadores qualificados em pelo menos uma categoria de emprego.
Após mais de um século e meio de “educação”
governamental controlada e obrigatória, a situação tornou-se completamente
irrecuperável.
Como o autor vencedor do prémio Pulitzer Chris
Hedges notou no seu livro “Império da Ilusão” (“Empire of Illusion”, no
original):
“Um terço dos graduados do secundário nunca
lêem outro livro no resto das suas vidas, nem o fazem 42% dos diplomados
universitários. Em 2007, 80% das famílias nos Estados Unidos não comprou ou leu
um livro... O Princeton Review analisou transcritos dos debates Gore-Bush de
2000, dos debates Clinton-Bush-Perot de 1992, do debate Kennedy-Nixon de 1960,
e dos debates Lincoln-Douglas de 1858. Reviu estes transcritos usando um teste
padrão de vocabulário que indica o nível educacional mínimo necessário para um
leitor compreender o texto. Nos debates Lincoln-Douglas, Lincoln falou no nível
educacional de um aluno do 11º ano, e Douglas dirigiu-se à multidão usando
vocabulário adequado para um graduado do secundário. No debate Kennedy-Nixon,
os candidatos falaram numa linguagem acessível a alunos do 10º ano. Nos debates
de 1992, Clinton falou ao nível de um aluno do 7º ano, enquanto Bush falou ao
nível do 6º ano, tal como fez Perot. Durante os debates de 2000, Bush falou ao
nível do 6º ano e Gore a um nível avançado de 7º ano.”
Quanto tempo demorará até que os debates
Presidenciais sejam feitos com marionetas, cantorias e bolas saltitantes?
Conclusão
O
apodrecimento da mente e do espírito que surge da compulsão universal é
verdadeiramente a maior tragédia do Estatismo. Não é tanto o facto dos nossos
corpos serem tributados, mas o lentamente recusarmos a tributar as nossas
mentes. À medida que os inevitavelmente terríveis resultados da compulsão
surgem em primeiro plano para todos excepto os mais deliberadamente cegos
verem, a juventude já não acredita nos ideais da sua sociedade, guardam
desprezo pelos seus anciãos e as suas hipocrisias aduladoras, e vêem com
cinismo insondável as regras sociais que se espera que sigam.
À medida que a educação, o rendimento e as
oportunidades para a juventude desaparecem, o mais antigo pacto social entre
gerações – obedece aos teus anciãos, e recebe benefícios – igualmente se
desintegra. As gerações que se beneficiavam mutuamente – a vitalidade e
criatividade da juventude combinada com as poupanças e a sabedoria dos idosos –
agora olham-se fixamente com olhos cínicos e desconfiados. “Porque haveríamos
de pagar a tua reforma?” “Porque haveríamos de pagar a tua pós-graduação?”
A maior tragédia do Estatismo é a destruição
da confiança comunal, e a ruptura da cooperação entre os que têm diferenças
benéficas, como os velhos e os novos, ricos e pobres, líderes e seguidores.
Quando encarceramos os nossos jovens ano após
ano em perigosas prisões de indoutrinação Estatal, e os vendemos para servidão
futura em troca do suborno político do momento, irão mesmo ouvir-nos quanto
lhes dizemos para serem bons, para adiarem gratificações, para trabalharem
arduamente, quando não restam recompensas para lhes oferecermos – nem financeiras
nem espirituais?
Claro
que não.
Temos de abandonar as nossas ilusões de
benevolência Estatal– não para nos salvarmos do Estado, mas uns dos outros –
dos ressentimentos e predações ulcerantes que inevitavelmente crescem entre
cidadãos a arranhar e morder por migalhas da mesa política.
O futuro da liberdade é o futuro da juventude,
e a liberdade da juventude depende dos idosos abandonarem as suas ilusões.
Deixo a última palavra ao grande poeta W.H.
Auden, na esperança que a sua profecia sobre o século XX se prove falsa no
século XXI:
We would rather be ruined than changed;
We would rather die in our dread
Than climb the cross of the moment
And let our illusions die.
(Preferiríamos ser arruinados a mudar
Preferiríamos
morrer no nosso terror
Que
trepar a cruz do momento
E
deixar as nossas ilusões morrer.)